Morte de Paulo Nogueira-Neto repercute entre políticos e ambientalistas pelo Brasil

Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva destacou a preocupação dele com a Amazônia, mas também com o Cerrado

  • 26/2/2019 13:25
  • Usina Ester
  • Usina Ester

Autoridades da área ambiental e o presidente da República, Jair Bolsonaro, lamentaram e divulgaram notas de pesar sobre a morte do ambientalista Paulo Nogueira-Neto, aos 96 anos.

Bolsonaro fez um post em seu Twitter lamentando a morte. Ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva lembrou de preocupação dele quanto à Amazônia e ao Cerrado. Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial, destacou o amor que ele tinha pela esposa.

O Ministério do Meio Ambiente, em Brasília (DF), disse que ele é motivo de inspiração e incentivo. A ONG SOS Mata Atlântica também fez uma homenagem ao seu fundador.

Nogueira-Neto era viúvo, deixa três filhos e seis netos. Ele teve falência múltipla de órgãos nesta segunda-feira (25) e o velório começou às 8h desta terça (26), na residência dele, em São Paulo. Ele é irmão de José Bonifácio Coutinho Nogueira, fundador da EPTV, afiliada da TV Globo.

O ambientalista teve uma longa trajetória ligada à preservação da natureza. Sua atuação foi reconhecida com prêmios e homenagens pelo Brasil e pelo mundo.

Post no Twitter
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) lembrou a morte do ambientalista com uma postagem na sua rede social, nesta terça-feira. Escreveu que o Brasil perdeu o "precursor da boa política ambiental".

"Secretário Especial do Meio Ambiente nos governos Geisel e Figueiredo, deixa-nos um legado de respeito ao meio ambiente e ao produtor rural. Deus conforte seus familiares e amigos".  

marina silva

Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente
"Além da preocupação com a Amazônia, que todo mundo conhece, é fácil né, mas ele também tinha preocupação com o Cerrado. E, durante toda a sua vida, ele se dedicava a essa agenda. Como uma maneira de defender o que há de melhor para a vida das pessoas".  "Porque não tem desenvolvimento econômico se não tiver água. Não tem desenvolvimento econômico se não tiver terra fértil. Não tem desenvolvimento econômico se não tiver biodiversidade", afirma.  

evaristo paulo

Evaristo de Miranda, chefe da Embrapa Territorial
Miranda lembrou de um episódio que o marcou quando "Dr. Paulo", como o chama, destacou o amor pela esposa ao final de uma palestra para um grande público em Curitiba (PR), em um evento do Instituto Ciência e Fé.

"No final da palestra, teve uma pessoa que elogiou muito a conduta ética, a conduta moral, e até de uma política muito correta do Dr. Paulo em prol do bem comum. E, aí, ele disse, diante de todos, e para essa pessoa, que a razão principal não era aquela, dessa conduta dele. Era o amor que ele tinha pela esposa".

"A esposa já havia falecido. Ele disse que tinha certeza de que ela estava no céu, pela vida que ela levou. Por isso que ele precisava continuar vivendo como um bom cristão, com essa conduta ética. Porque, assim, no dia em que ele morresse, ele poderia se encontrar de novo com ela nos céus", lembra. 

Ministério do Meio Ambiente
Em nota, em nome do ministro Ricardo Salles, a Pasta informou que todos os integrantes do Ministério lamentam o falecimento de Paulo Nogueira-Neto.

"Precursor deste órgão e de tantas iniciativas em prol do meio ambiente e da sustentabilidade. Seu legado de dedicação e trabalho pela conservação, sempre pautado pela ética, bom senso e equilíbrio, são, sem dúvida alguma, motivo de inspiração e incentivo a todos", diz o texto.  


SOS Mata Atlântica

Em nota na sua página oficial na internet, publicada nesta terça-feira (26), a ONG SOS Mata Atlântica destacou as boas iniciativas que ocorreram no país e foram de responsabilidade de Paulo Nogueira-Neto, fundador da ONG. Cita o ambientalista como "um fervoroso defensor da Mata Atlântica" e "um incansável em busca do desenvolvimento sustentável".

"Foi ele quem inaugurou o primeiro órgão ambiental federal do país, a Secretaria Especial de Meio Ambiente, que dirigiu de 1974 a 1986. Em sua gestão foram criadas 26 estações ecológicas, reservas biológicas e outras Unidades de Conservação, num total de 3,2 milhões de hectares de áreas protegidas", diz o texto.

Trajetória
Secretário especial do Meio Ambiente do governo federal entre 1974 e 1986 - função hoje equivalente à de ministro - ele foi responsável pela criação de estações ecológicas com objetivo de valorizar a preservação da natureza, segundo publicação feita pelo Jornal da USP, em 2014.

Nesta universidade, Nogueira-Neto tornou-se bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito, em 1945, e depois fez o curso de História Natural, na Faculdade de Filosofia e Letras, o qual ele concluiu em 1959. Além disso, foi professor emérito do Instituto de Biociências, onde também foi um dos fundadores do Departamento de Ecologia Geral.

Ele é integrante da Academia Paulista de Letras desde 1991- veja aqui texto de recepção. Trabalhou em pesquisas sobre o comportamento de abelhas indígenas sem ferrão e publicou livros com estudos na área, e também sobre a criação de animais nativos vertebrados e viagens.  

Paulo Nogueira Neto

Reconhecimento
Ao longo da carreira, o ambientalista recebeu uma série de homenagens. Entre os destaques está o Prêmio Paul Getty, láurea mundial no Campo de Conservação da Natureza, recebido com Maria Thereza Jorge Pádua, em 1981. Além disso, foi eleito duas vezes vice-presidente do programa "O homem e a biosfera (MAB)", da Unesco, e exerceu a presidência dele na sessão de 1983.

A atuação conservacionista fez com que fosse distinguido com a Ordem de Rio Branco (do Brasil) e com a Comenda da Arca Dourada, dos Países Baixos. Já no ano de 1997, ele recebeu o Prêmio Duke of Edinburgh, da WWF Internacional.


Nogueira-Neto foi ainda um dos fundadores da Associação dos Dirigentes Cristãos de Empresa (ADCE), vice-presidente da WWF Brasil e atuou no Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), no Conselho do Meio Ambiente (Cades) da Prefeitura de São Paulo, no Conselho de Administração da Companhia Ambiental do estado (Cetesb). O ambientalista também foi vice-presidente do International Bee Research Association e membro do Advisory Group do PP-G7.



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